O PAVILHÃO - HISTÓRIA
O Pavilhão Manoel da Nóbrega integra um conjunto arquitetônico
tombado pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
em 1997 e projetado por Oscar Niemeyer e sua equipe (Eduardo Kneese de Mello,
Zenon Lotufo, Hélio Cavalcanti; colaboração de Gauss Estelita
e Carlos Lemos). Inaugurado em dezembro de 1953 — integrando as atividades
oficiais de comemoração do IV Centenário da Cidade de
São Paulo.
Esse conjunto arquitetônico é o resultado do convite a Oscar Niemeyer
por Francisco Matarazzo — o “Ciccillio”, então presidente
da comissão para as comemorações do IV centenário — e
compreende a Marquise, os Pavilhões da Agricultura (atual Detran), das
Indústrias (atual prédio da Fundação Bienal), dos
Estados (hoje prédio da Prodam), das Exposições (a OCA)
e um auditório, previsto no projeto original, mas com a construção
iniciada apenas em 2004,
atualmente com alterações do próprio Niemeyer no projeto.
O conjunto arquitetônico pretendia concentrar no Parque Ibirapuera uma
imensa gama de atividades de cultura, lazer
e entretenimento, transformando o novo parque num centro irradiador de arte
e cultura.
No mesmo ano de 1953 se confirma a vocação deste conjunto. O
parque Ibirapuera recebe a II Bienal do Museu de Arte Moderna de São
Paulo. No marco dos 400 anos da cidade o Pavilhão das Indústrias
e o das Nações abrigam
obras de artistas do mundo inteiro. O primeiro pavilhão destinado às
representações das Américas, do Brasil e à Mostra
Internacional de Arquitetura; enquanto o Pavilhão das Nações
fora destinado às representações da Europa
e do Oriente. Entre estas obras estava Guernica, ao lado de outras 74 em uma
sala especial para o catalão
Pablo Picasso. A mostra contou com 3.374 obras de 33 países.
A Edição seguinte da Bienal do Museu de Arte Moderna de São
Paulo ainda ocupou os dois Pavilhões do conjunto, e embora a terceira
edição da Bienal consolidasse os propósitos do evento,
não conseguiu repetir o impacto da anterior.
Mas é logo em seguida que a vocação deste Pavilhão
de 11 mil m² é interrompida. Entre os anos de 1961 e 1991 a sede
do Gabinete da Prefeitura transfere-se para o prédio. No entanto, estes
trinta anos de intermezzo não foram suficientes para apagar a vocação
original.
Após 1992 o Pavilhão, cedido ao governo do Estado de São
Paulo, é cogitado para abrigar a Pinacoteca do Estado, o que acaba não
acontecendo. Mas nos anos de 1990 e início de 2000 recebeu o projeto
Pinacoteca no Parque, que ocupou o Pavilhão com uma série de
exposições relevantes, como as de Joaquim Tenreiro e Rubem Valentim.
Em 2004 o Pavilhão Manoel da Nóbrega retornou à administração
municipal. No dia 23 de outubro deste mesmo ano
o Museu Afro Brasil é inaugurado.
Naquele que foi primeiro nomeado Pavilhão das Nações,
11 mil m² agora estão destinados a contar uma história que
foi escamoteada pelas narrativas oficiais, revelar as faces negras de nosso
país e, assim como fez a primeira
exposição temporária deste museu, “Brasileiro, Brasileiros”,
assumir a face mestiça deste país. Romper o silêncio imposto
sobre os conteúdos culturais de origens africanas e que agora formaram,
por efeito de muitas lutas e resistências, os conteúdos culturais
brasileiros, ao lado e não menos mesclados a conteúdos indígenas
e europeus. Valendo-se de seu acervo de artes plásticas e visuais, de
sua biblioteca Carolina Maria de Jesus e de seu anfiteatro Ruth de Souza, o
antigo Pavilhão das Nações retoma sua vocação
original valendo-se de todas essas forças.
Se em 1953 o Pavilhão das Nações abrigava Guernica, que
não nos deixava esquecer os horrores da guerra; desde 2004 o Pavilhão
Manoel da Nóbrega, abriga um acervo de artistas negros, de negras memórias
para nunca esquecer.
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