| MUSEU AFRO BRASIL COMEMORA DOIS ANOS
COM MOSTRAS SOBRE DIVERSIDADE CULTURAL BRASILEIRA
Inspirada pelo programa Cultura Viva e pelos Pontos e Pontões de Cultura, a mostra Viva Cultura Viva do Povo Brasileiro reúne as exposições temáticas Território Ocupado, Um Olhar Sobre a Arte Brasileira, O Imaginário do Povo Brasileiro e Os Pontos de Cultura, que celebram o país e suas mais diversas tradições culturais e artísticas; a abertura, no dia 23 de outubro, marca a comemoração de dois anos do museu.
As exposições, montadas juntas e justapostas, comemoram a união entre as muitas linguagens das artes plásticas brasileiras, sem pretender fechar qualquer elo fixo entre elas. O erudito e o popular convivem lado a lado, sem maiores explicações acadêmicas. O caos, uma vez eleito como vetor de organização, propõe ao espectador a função de criar seus próprios nexos de sentido, mantendo o povo brasileiro e suas culturas como base de uma complexa construção de identidade. “Neste projeto, ‘povo’ deve ser compreendido em seu significado mais amplo, como patrimônio material e imaterial daqueles que ajudaram a construir a nossa identidade, sem exclusão”, explica o diretor do Museu e curador da mostra Emanoel Araújo.
Território Ocupado examina o grafite dos artistas de rua como linguagem inovadora e contemporânea.
Um Olhar Sobre a Arte Brasileira revê muitos dos principais movimentos artísticos brasileiros do século XX e traz à tona artistas que escreveram a história cultural deste país.
O Imaginário do Povo Brasileiro revela a produção material ligada à ancestralidade do povo brasileiro, obras às vezes catalogadas sob a categoria geral de ‘cultura popular’.
Finalmente, Os Pontos de Cultura documenta o trabalho de alguns Pontos já ativos e espalhados pelos rincões do país, e traz amostras de material produzido in loco.
O principal foco de Emanoel Araújo é apontar alguns caminhos para uma maior aproximação entre os Pontos e a vibrante criação artística brasileira. Para tanto, organizou uma exposição que busca justapor ações dos Pontos de Cultura com a memória artística, popular e erudita, do povo brasileiro. Logo, nem tudo o que será apresentado ao público é produção dos Pontos de Cultura, até porque estes também precisam ver o que está a seu redor. Mas esta troca e este desejo de se ver e ser visto possibilita um novo jeito de ver o Brasil.
“Este projeto, pelos olhares crítico e artístico presentes na maestria de Emanoel Araújo, estabelece pontes entre os Pontos ao alinhar seus contextos culturais e revela mais que áreas singulares do recorte plural das regionalidades, refletindo sobre a arte como permanente processo de troca, especialmente no meio da Cultura Popular”, destaca o Ministro da Cultura, Gilberto Gil. O ministro acredita que os Pontos de Cultura não redescobrem “brasis ocultos”, mas sim os revelam. Para ele, sob ação estratégica de um Programa que se legitima pelo trabalho em Rede, estes “brasis” tornam-se mais públicos, adquirem visibilidade nacional e internacional. Eles só estavam “ocultos” para determinado público ou para uma parcela da mídia resistente ao que é realmente inovador.
As exposições
Território Ocupado
Com esta mostra, o Museu Afro Brasil amplia-se, além da própria temática, para as questões mais amplas da arte contemporânea. A experiência que Speto, Nunca, Ciro, Melim, Kboco e Onesto desenvolvem nas ruas, comunidades e entre os grupos de grafiteiros, aponta um conjunto de novas possibilidades expressivas para a cultura da imagem contemporânea. Ao invés de incitar o exotismo da linguagem do grafitti, Território Ocupado amplia o contato com artistas que agem fora do circuito convencional da arte e que, neste caso específico, representam a nova geração do grafitti, revelando habilidades e raciocínios paralelos à onda de apropriações tecnológicas da imagem, em softwares pré-determinados e fórmulas copiadas da cultura pop. Valorizar a trajetória de artistas dotados de uma capacidade positiva e descomunal de improvisar, adequar-se à realidade do imediato, do momentâneo, às linguagens tradicionais e à transcendência de suportes, este é o objetivo do Território Ocupado.
Um olhar sobre a arte brasileira
A arte brasileira do século XX é rica de artistas que inauguraram movimentos, articulados como grupos ou não, que marcaram a história e o olhar brasileiros. A mostra Um olhar sobre a arte brasileira consagra alguns dos muitos artistas dessa chamada “arte erudita”. O visitante poderá conferir alguns nomes cujas obras movimentaram as Bienais Internacionais de São Paulo, fundando novas estéticas, como abstração informal ou concretismo, muitos dos quais circularam entre o desenho, a pintura, a gravura e a escultura com grande majestade, como Francisco Brennand, Nelson Leirner, Marcelo Grassmann, Carlos Scliar, Danilo di Prete, Tomie Ohtake, Yolanda Mohalyi, Arcangelo Ianelli, Antonio Maluf, Hércules Barsotti; outros que se firmaram por seus procedimentos de apropriação e reciclagem de material da natureza orgânica, entre eles, Franz Krajcberg e Ramiro Bernabó; e alguns ainda que não são “classificáveis”, como Bispo do Rosário ou Bragança. Portanto, a exposição sobrevoa a arte brasileira desde a abstração informal, até as mais diversas experiências de figuração, e apresenta ainda trabalhos emergidos da nova geração de artistas contemporâneos, com suas linguagens híbridas e inovadoras, como Sidney Amaral e Washington Silvera.
O Imaginário do Povo Brasileiro
Neste espaço, o visitante terá uma exposição em que a expressão “arte popular” serve para designar aos criadores populares um lugar na produção artística em geral, lugar de uma autenticidade criadora que, embora não desenraizada da produção de uma comunidade em que se embasa, no entanto não se confina a ela nem cede à sedução fácil do mercado. A organização desta vertente de O Imaginário do Povo Brasileiro se deu através de três conceitos – ancestralidade, arcaísmos e permanências.
Os Pontos de Cultura
Esta mostra documenta o trabalho de alguns Pontos já ativos e espalhados pelos diversos Estados brasileiros, e traz amostras de material produzido in loco. A mostra contará com objetos, registros e ampliações fotográficas, áudio e vídeos, e revelará ao público uma pluralidade de Brasis desconhecidos.
Sobre o programa Cultura Viva
Das atividades iniciais do Programa Nacional de Cultura, Educação e Cidadania – Cultura Viva – elaborado pelo Ministério da Cultura há pouco mais de dois anos, emergiram os chamados Pontos e Pontões de Cultura. Os Pontos de Cultura, em toda a diversidade de abordagens e de ações pontuais, estimulando o trabalho com a dança, o teatro, a música e as artes plásticas no âmbito das comunidades locais, evidenciam a chamada Cultura, sem distinção entre popular e erudita, como mecanismo de geração e nutrição da própria vida do país.
Pontos são diversos, alguns preferem teatro, outros dança ou música, que pode ser erudita ou popular, ou então a mistura dos dois. Há os que preservam as tradições, os que perseguem o experimentalismo estético, a cultura digital, e também aqueles que se renovam tendo por fonte as tradições preservadas. Muitos estão nas grandes cidades, principalmente, favelas e periferias, outros em pequenos municípios, ou em aldeias indígenas, assentamentos rurais, comunidades quilombolas, universidades. Como desejo comum, a vontade de romper o silêncio que se traduz no estúdio multimídia e na conexão em rede. Um equipamento simples, de baixo custo, mas que permite gravar um CD, que pode ser de baião, hiphop, viola, violino, samba ou coro. Com o estúdio é possível colocar uma rádio no ar e transmiti-la por canal comunitário ou em ambiente web. Ou então uma TV. Cada Ponto recebe uma câmera digital e computadores com programas de edição em software livre, assim podem registrar as imagens que quiserem, suas expressões, histórias, personagens, lugares. Depois é trocar a arte de cada um.
O vernissage será dia 23 de outubro, a partir das 19hrs, com a presença do Ministro da Cultura, Gilberto Gil.
SERVIÇO
Projeto Viva Cultura Viva do Povo Brasileiro: exposições Território Ocupado, Um olhar sobre a arte brasileira, O imaginário do Povo Brasileiro e Os Pontos de Cultura
Curador: Emanoel Araujo
De 23 de outubro, 19h; de terça a domingo, das 10 às 17h (com permanência até às 18h)
Museu Afro Brasil - Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, Av. Pedro Álvares Cabral s/n. Parque Ibirapuera – Portão 10, fone 5579 0593
Visitação – Gratuita
EXPOSIÇÃO - VIVA CULTURA VIVA DO POVO BRASILEIRO
- Pontos de cultura
- Um olhar sobre a arte brasileira
- O imaginário do povo brasileiro
- Território ocupado
23 de outubro de 2006 - 18h30
Maiores Informações: (11) 55790593 - Museu Afro Brasil ou fale
conosco.
|