Ao longo de mais de 20 anos de trabalho voltados para o resgate da memória
do negro no Brasil, o artista plástico, curador e diretor de museus
Emanoel Araujo reuniu uma extraordinária coleção de mais
de 5000 obras, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, livros, vídeos
e documentos, de artistas e autores brasileiros e estrangeiros, relacionados
com a temática do negro. É uma parte dessa coleção,
num total de 1100 obras, que ele cedeu em regime de comodato à Secretaria
de Cultura do Município de São Paulo para constituir o acervo
inicial do Museu Afro Brasil. Conheça o nosso
acervo.
Exposições temporárias e eventos especiais
Theodoro Sampaio - O sábio negro entre os brancos
A história do engenheiro baiano Theodoro Sampaio é um sem-fim de peculiaridades. Nasceu em 1855, filho de um padre católico, Manoel Fernandes Sampaio, e da escrava Domingas Paixão. Foi o único deputado federal da história brasileira a ter nascido escravo. Formou-se engenheiro em 1877, e trabalhando como professor de matemática e desenhista do Museu Nacional conseguiu dinheiro suficiente para comprar a alforria de seus três irmãos e a liberdade de sua mãe. Embora negro, por ser filho de branco – ainda que bastardo de pai padre – ele não chegou a ser submetido aos rigores da escravidão. Foi levado para estudar no Rio de Janeiro, e tornou-se o único brasileiro a integrar o grupo de engenheiros norte-americanos que estudou o plano de escoamento das águas e a tecnologia necessária para a construção de sistemas pluviais na cidade. Para isso, foi nomeado pelo imperador D. Pedro II como membro da Comissão Hidráulica.
A contribuição de Theodoro Sampaio para o desenvolvimento urbano de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e várias cidades do interior paulista, como Rio Claro, Itu, Santos e Sorocaba é inestimável. Além do mais, teve intensa e decisiva participação na criação da Escola Politécnica que hoje faz parte da Universidade de São Paulo.
Homenagear esta trajetória luminosa e singular é uma forma de resgatar sua memória e realçar sua importância. Nada mais justo e oportuno, então, que a exposição Theodoro Sampaio – o sábio negro entre os brancos, que ocorre durante o registro dos 70 anos da morte desse brasileiro exemplar.
A Petrobras, maior empresa brasileira e maior patrocinadora das artes e da cultura em nosso país, apóia essa iniciativa do Museu Afro Brasil.
Ao longo de seu pouco mais de meio século de vida, a Petrobras consolidou a consciência da importância de se preservar – e honrar – a memória dos grandes pioneiros de nosso país. Aliás, a história da própria Petrobras é toda ela feita da generosa ousadia dos pioneiros da indústria do petróleo no Brasil. Apoiar a homenagem a Theodoro Sampaio é, sob muitos aspectos, reivindicar sua trajetória como exemplo e guia para todos os brasileiros. Superar desafios de forma generosa e solidária, tal como ele fez, é contribuir para aproximar o futuro. É assentar as bases para a construção do país que merecemos.
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A Divina Inspiração Sagrada e Religiosa Sincretismos
Na formação da identidade brasileira há um contraponto conhecido – aliás, conhecido de sobra – entre a religião católica e os cultos de origem africana. Dessa mistura ampla e intensa fomos feitos, e a prática religiosa não poderia escapar dela. E menos ainda escapar da beleza e da riqueza de seus rituais.
A influência dessa dualidade nas artes do nosso país é mais do que evidente – só que nem sempre se compreende, em toda a sua extensão, o que está sendo visto. Ou seja: existe algo além do que vemos. E esse algo é parte essencial do que somos.
A exposição A divina inspiração sagrada e religiosa – sincretismos resume bem esse mecanismo tão formidável e essencial na nossa história, na história de cada um de nós. Entre um pólo e outro, entre um mundo e outro, existimos. Dessa distância e dessa ponte fomos feitos.
A Petrobras, maior empresa brasileira e maior patrocinadora das artes e da cultura em nosso país, apóia este projeto.
Desde a sua criação, há pouco mais de meio século, a missão primordial da Petrobras é contribuir para o desenvolvimento do Brasil. Fazemos isso a cada minuto de cada hora de nossos muitos dias.
Quando desenvolvemos tecnologia de ponta, ou aprimorarmos cada vez mais nossos produtos, ou dedicamos esforços incomparáveis na preservação do meio ambiente, estamos contribuindo para o desenvolvimento do nosso país. Da mesma forma, quando incentivamos e estimulamos os avanços da indústria pesada brasileira, quando nos tornamos a empresa líder mundial em exploração e produção em águas ultra-profundas, cumprimos essa missão.
Um país sem memória, que não sabe ao certo de onde veio, não saberá aonde chegar. Não será jamais um país desenvolvido.
Também por isso apoiamos projetos que nos ajudam a desvelar e compreender nossa verdadeira face. Projetos como este.
A história do Brasil é toda ela, feita de desafios superados, de ousadias libertárias. De uma profunda, imensa fé no que virá.
A história da Petrobras também. Por isso, nada mais natural que endossar, com nosso apoio, iniciativas como esta, que nos ajudam a conhecer melhor nossas raízes e nosso passado. Ou seja: a conhecer melhor as veredas que nos conduzirão ao futuro.
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Formas e Pulos: O Saci no Imaginário
Çaa cy perereg, Saci Pererê ou simplesmente Saci. Quem não conhece este personagem do folclore, travesso e libertário, que pula entre nós há mais de dois séculos?
Mito criado pelos tupi-guarani na zona fronteiriça com o Paraguai, guardião das florestas e defensor da natureza, foi apropriado pelos escravos, incorporando feições africanas e um cachimbo de preto velho. E, se o Saci perdeu uma perna para representar a mutilação imposta pelo cativeiro, ganhou o gorro vermelho, que concentra seus poderes mágicos, inspirado no piléu, emblema da liberdade na Roma antiga e no barrete frígio adotado pelos republicanos após a Revolução Francesa de 1789.
Símbolo de mestiçagem e resistência desde os tempos da Colônia e do Império, quando os negros enfrentavam os capitães do mato com golpes ágeis de capoeira, o Saci congrega a cultura multirracial que forma o povo brasileiro e plasma sua identidade.
Formas e Pulos: O Saci no Imaginário resgata as representações de um duende genuinamente nacional por diversos artistas, em suportes e técnicas variadas. A mostra revela também a energia do “insigne perneta” recuperando o espaço invadido pelas bruxas travestidas nas abóboras do raloim, que teimam em seqüestrar nosso imaginário e representam as forças do mal na geopolítica do século XXI.
Vladimir Sacchetta
Curador
Benin está vivo ainda lá
Ancestralidade e Contemporaneidade
O Museu Afro Brasil, com a exposição O Benin, ancestralidade e contemporaneidade, torna-se a primeira instituição brasileira a dedicar o melhor de seus esforços a mostrar a arte ancestral, tradicional, e também a arte contemporânea produzida por um dos berços da nação brasileira, o Benin.
Trata-se de uma clara mostra da formidável potencialidade de um dos povos mais criativos da África – e que é, também, um dos berços fundamentais de todos nós, brasileiros. Uma das mais vigorosas raízes da nossa origem, da nossa identidade. De Benin vieram, escravizados, os homens e mulheres que deram vida e impulso para a economia do Brasil em seus tempos de colônia portuguesa desde o século XVI. Foram eles os responsáveis por boa parte da riqueza produzida no Brasil, nos tempos do açúcar e do ouro.
O Benin, terra da arte e da criatividade, raiz de todos nós, foi mostrado ao Brasil pela primeira vez por um antropólogo e fotógrafo estrangeiro de nascimento, brasileiro e africano de alma: Pierre Verger. E foi e é também a terra para onde regressaram muitos brasileiros depois da abolição da escravatura, os Agudas, que até hoje mantêm, lá, hábitos e costumes que seus antepassados levaram daqui nesse retorno. Passados os séculos, esta exposição retoma a vida e a arte do Benin, mostrando seus artistas mais representativos da atualidade, mas sem esquecer a tradição, o cotidiano da vida e da cultura daquele pedaço da África tão próximo de nós.
A Petrobras, maior empresa brasileira e maior patrocinadora das artes e da cultura em nosso país, apóia essa iniciativa.
Nosso compromisso é com o futuro. E, por isso mesmo, sabemos valorizar o passado. Afinal, é dele, da herança que devemos honrar, da experiência acumulada ao longo dos tempos, que chegamos aonde chegamos.
O compromisso primordial da Petrobras é contribuir para o desenvolvimento do Brasil. E um país que não respeita e conhece suas origens, que não se reconhece no passado, dificilmente chegará ao futuro – ou seja, dificilmente será, algum dia, a ser um país desenvolvido.
Da nossa criatividade tiramos todas as conquistas do povo brasileiro, e todas as conquistas da Petrobras.
E é mais do que tempo de saber valorizar a criatividade daquelas culturas, daqueles povos dos quais somos, todos, herdeiros.
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Imagens Perversas e Inocentes A ambivalência que recaí sobre as imagens dos negros expostas através de uma variedade de objetos de arte
Gabinete de curiosidades O fabuloso mundo do Wunderkammer ou Gabinete de Curiosidades, antecessor histórico dos museus, revelado através de diferentes artefatos que aguçam e instigam a curiosidade humana. (gabinete de curiosidades)
A mostra reúne originais do livro Quarto
de Despejo (1960), as versões internacionais
da obra que conquistou cerca de 30 idiomas, além
de fotos, manuscritos da autora e documentos pessoais
provenientes dos acervos particulares de sua filha
Vera e do jornalista Audálio Dantas. (mostras
da exposição fazem parte hoje do acervo
do Museu Afro Brasil)
Carolina Maria de Jesus (MG 1914-SP1977), negra,
neta de escravos, escritora semianalfabeta, imortalizou-se
com seu diário-reportagem Quarto de Despejo (1960), no qual relata a sua vida miserável
e a dos moradores da extinta Favela do Canindé,
em São Paulo. O poder explosivo de sua obra,
com forte caráter de denúncia social,
alcançou um sucesso impressionante e inesperado.
A primeira edição, de 10 mil exemplares,
se esgotou em menos de uma semana e o livro foi traduzido
para cerca de trinta idiomas, merecendo sucessivas
reedições com tiragens superiores a
100 mil unidades. A obra foi adaptada para teatro,
rádio, televisão e cinema. A autora
publicou ainda Casa de Alvenaria 1961; Pedaços
de Fome 1963; Provérbios 1963; e Diário
de Bitita 1982 (Póstumo).