A história do engenheiro baiano Theodoro Sampaio é um sem-fim de peculiaridades. Nasceu em 1855, filho de um padre católico, Manoel Fernandes Sampaio, e da escrava Domingas Paixão. Foi o único deputado federal da história brasileira a ter nascido escravo. Formou-se engenheiro em 1877, e trabalhando como professor de matemática e desenhista do Museu Nacional conseguiu dinheiro suficiente para comprar a alforria de seus três irmãos e a liberdade de sua mãe. Embora negro, por ser filho de branco – ainda que bastardo de pai padre – ele não chegou a ser submetido aos rigores da escravidão. Foi levado para estudar no Rio de Janeiro, e tornou-se o único brasileiro a integrar o grupo de engenheiros norte-americanos que estudou o plano de escoamento das águas e a tecnologia necessária para a construção de sistemas pluviais na cidade. Para isso, foi nomeado pelo imperador D. Pedro II como membro da Comissão Hidráulica.
A contribuição de Theodoro Sampaio para o desenvolvimento urbano de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e várias cidades do interior paulista, como Rio Claro, Itu, Santos e Sorocaba é inestimável. Além do mais, teve intensa e decisiva participação na criação da Escola Politécnica que hoje faz parte da Universidade de São Paulo.
Homenagear esta trajetória luminosa e singular é uma forma de resgatar sua memória e realçar sua importância. Nada mais justo e oportuno, então, que a exposição Theodoro Sampaio – o sábio negro entre os brancos, que ocorre durante o registro dos 70 anos da morte desse brasileiro exemplar.
A Petrobras, maior empresa brasileira e maior patrocinadora das artes e da cultura em nosso país, apóia essa iniciativa do Museu Afro Brasil.
Ao longo de seu pouco mais de meio século de vida, a Petrobras consolidou a consciência da importância de se preservar – e honrar – a memória dos grandes pioneiros de nosso país. Aliás, a história da própria Petrobras é toda ela feita da generosa ousadia dos pioneiros da indústria do petróleo no Brasil. Apoiar a homenagem a Theodoro Sampaio é, sob muitos aspectos, reivindicar sua trajetória como exemplo e guia para todos os brasileiros. Superar desafios de forma generosa e solidária, tal como ele fez, é contribuir para aproximar o futuro. É assentar as bases para a construção do país que merecemos.
Patrocínio:
A Divina Inspiração Sagrada e Religiosa Sincretismos
Na formação da identidade brasileira há um contraponto conhecido – aliás, conhecido de sobra – entre a religião católica e os cultos de origem africana. Dessa mistura ampla e intensa fomos feitos, e a prática religiosa não poderia escapar dela. E menos ainda escapar da beleza e da riqueza de seus rituais.
A influência dessa dualidade nas artes do nosso país é mais do que evidente – só que nem sempre se compreende, em toda a sua extensão, o que está sendo visto. Ou seja: existe algo além do que vemos. E esse algo é parte essencial do que somos.
A exposição A divina inspiração sagrada e religiosa – sincretismos resume bem esse mecanismo tão formidável e essencial na nossa história, na história de cada um de nós. Entre um pólo e outro, entre um mundo e outro, existimos. Dessa distância e dessa ponte fomos feitos.
A Petrobras, maior empresa brasileira e maior patrocinadora das artes e da cultura em nosso país, apóia este projeto.
Desde a sua criação, há pouco mais de meio século, a missão primordial da Petrobras é contribuir para o desenvolvimento do Brasil. Fazemos isso a cada minuto de cada hora de nossos muitos dias.
Quando desenvolvemos tecnologia de ponta, ou aprimorarmos cada vez mais nossos produtos, ou dedicamos esforços incomparáveis na preservação do meio ambiente, estamos contribuindo para o desenvolvimento do nosso país. Da mesma forma, quando incentivamos e estimulamos os avanços da indústria pesada brasileira, quando nos tornamos a empresa líder mundial em exploração e produção em águas ultra-profundas, cumprimos essa missão.
Um país sem memória, que não sabe ao certo de onde veio, não saberá aonde chegar. Não será jamais um país desenvolvido.
Também por isso apoiamos projetos que nos ajudam a desvelar e compreender nossa verdadeira face. Projetos como este.
A história do Brasil é toda ela, feita de desafios superados, de ousadias libertárias. De uma profunda, imensa fé no que virá.
A história da Petrobras também. Por isso, nada mais natural que endossar, com nosso apoio, iniciativas como esta, que nos ajudam a conhecer melhor nossas raízes e nosso passado. Ou seja: a conhecer melhor as veredas que nos conduzirão ao futuro.
Exposição: Benin está vivo ainda lá, ancestralidade e contemporaneidade.
CURSO
Histórias Bordadas: Benin, Brasil-Brasil, Benin
As oficinas de bordado a serem realizadas durante a exposição O Benin está vivo ainda lá: Ancestralidade e Contemporaneidade terão como referência e inspiração as obras expostas. Durante quatro encontros os participantes produzirão um painel bordado, utilizando seu próprio repertório, as técnicas e imagens dos bordados brasileiros presentes no nosso imaginário cultural e também a técnica utilizada nos apliqués beninenses. A oralidade bordada e aplicada, nessa arte do Benin, dialoga com aspectos culturais brasileiros que serão recuperados por meio de histórias contadas de lá e daqui.
Público: Interessados a partir de 16 anos Carga horária: 12 horas – 4 encontros de três horas semanais Horário: Sábados
Turma 1 – das 10 horas às 13 horas
Turma 2 - das 14 horas às 17 horas Datas: 10 /17/ 24/11 e 01/12 Artista orientador: O curso será ministrado por Valdirene Gomes, educadora, socióloga e idealizadora do Projeto Tecendo Nossa História.
CURSO
A estética do reaproveitamento
As oficinas terão como referência principal a obra de artistas contemporâneos beninenses que estão expondo na mostra O Benim está vivo ainda lá – Zinkpé, Astor, Edewiges Aplogan, Gerard Quenum e Tchif. Uma característica que une esses e outros artistas, em diferentes locais do continente africano é a criação de uma arte em que a atitude de recuperação e reaproveitamento de objetos descartados aparece como estratégia de leitura, apropriação e expressão de visualidades. Nesse sentido, a compreensão das obras e contexto sócio cultural desses artistas implicará em diálogo com a nossa própria cultura, quer seja pelos vínculos tradicionais existentes entre África e Brasil, ou pela preocupação ambiental que envolve o consumo e descarte de objetos em todo planeta.
A partir desse enfoque, as atividades que serão desenvolvidas durante a oficina estarão direcionadas para a criação de obras que resultem em representações simbólicas, capturadas por meio da exploração de objetos descartados pela nossa sociedade.
Está programada uma intervenção no Parque Ibirapuera com o resultado da oficina.
Público: Interessados a partir de 16 anos Carga horária: 12 horas – 4 encontros de três horas semanais Horários: Terças e Quintas de 14h: 00 às 17h:00 Datas: 13, 22, 27e29 de novembro. Artista orientador: O curso será ministrado pela artista plástica e arte educadora do Museu Afro Brasil Solange Ardila.
CURSO PARA PROFESSORES E EDUCADORES
Benin, Ancestralidade e Contemporaneidade.
O curso tem como objetivo aprofundar a mediação entre os conteúdos da exposição Benin está vivo ainda lá, ancestralidade e contemporaneidade. Para tanto, serão promovidos encontros com elementos da cultura de um povo muito próximo do nosso, por meio da história, do modo de vida e da arte. Não se trata de uma África geral e inexistente, mas do contato com uma nação particular, que faz conviver, por meio da sua dinâmica social, a ancestralidade e a contemporaneidade.
Público: professores e educadores Carga horária: 4horas Dia: Sábado - 17 de novembro Horário: das 09 horas às 13 horas Professores responsáveis: Professora Juliana Ribeiro, historiadora, pesquisadora de arte africana e educadora do Museu Afro Brasil, Professora Maria Da Betania Galas, arte educadora e consultora de arte/educação do Núcleo de Educação Museu Afro Brasil e Professora Renata Felinto, arte educadora, pesquisadora de arte contemporânea e educadora do Museu Afro Brasil.
OFICINA
Interferências no parque
Tecidos nas Árvores
A tecelagem é uma técnica milenar de transmissão oral. Na África tradicional, os tecidos falam por meio de suas cores e fios, contam histórias, identificam povos. Nessa intervenção no Parque Ibirapuera, será ambientada uma gigantesca urdidura de fios coloridos entre árvores. O público do Parque será convidado a tecer, com fios, palhas, fitas, folhas, taliscas. Todos juntos, criando uma trama multicolorida para lembrar os fios da história que nos une a África.
Nº.de participantes:Público em geral Público: Freqüentadores habituais do parque de todas as idades Horário: 15:00 Datas: 10/11 e 25/11 Artista orientador: A atividade será coordenada por Maria Da Betania Galas, arte educadora e consultora de arte/educação do Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil.
RODAS DE HISTÓRIAS
À sombra de um Baobá
Com Giba Pedrosa
Data:Domingos
25 de novembro e 09 de dezembro Horário:Das 11 horas às 12 horas
Exposição: Divina Inspiração, Arte Sacra e Religiosidade – Sincretismos.
CURSO
Oficina de oratórios
A proposta dessa oficina consiste na investigação de diferentes oratórios encontrados no Brasil, desde a colonização até hoje, e nas possibilidades como suporte para criação de obras inspiradas nos conceitos e representações visuais que compõem a estética desses objetos. A partir dos oratórios expostos na exposição As Artes Sacras e Religiosas Católicas e os Inevitáveis Sincretismos, a oficina desenvolverá atividades de leitura e criação utilizando técnicas de desenho e colagem para montagem de ornados com flores, papéis recortados, fotos, objetos pessoais, pequenos acessórios como contas, fitas.
Público: educadores, estudantes de artes plásticas e demais pessoas interessadas com idade a partir de 18anos. Carga horária: 12 horas, 4 encontros de três horas semanais Horários: Quartas feiras de 14:00 às 17:00 Datas: 14 /21/ 28/11 e 05/12 Artistas orientadores: O curso será ministrado por Maria Da Betania Galas, arte educadora e consultora de arte/educação do Núcleo de Educação Museu Afro Brasil e Roberto Okinaka, artista plástico, vitrinista e cenógrafo do Museu Afro Brasil.
OFICINAS
Em busca do sagrado
Buscando apresentar aspectos do modo como o sagrado se constitui nas práticas culturais populares brasileiras, duas oficinas ligadas as tradições do congado em São Paulo e em Pernambuco serão realizadas durante a Exposição As Artes Sacras e Religiosas Católicas e os Inevitáveis Sincretismos. Uma sobre o Moçambique de Bastão do Vale do Paraíba (SP) e outra sobre o Maracatu Nação de Recife (PE). Além de identificar o sagrado dentro destes grupos, durante as oficinas os participantes terão a oportunidade de praticar um pouco da música, da dança e dos cantos de cada uma destas tradições.
Maracatu Nação
Nº de participantes: até 20 Público: Interessados a partir de 16 anos Horário: 13:00 às 17:00 Datas: 01 e 02/12 Artistas orientadores: A oficina será orientada por Sarah Rute, artista plástica e arte educadora do Museu Afro Brasil, os educadores do Grupo de Maracatu Ilê Alafia , Conceição (Conça), Rafael Rocha, percussionista e Viviane Lima, historiadora.
Moçambique de Bastão
Nº de participantes: Até 20 Público: Interessados a partir de 16 anos Horário: das 13:00 às 17:00 Datas: 24/11 e 08/12 Artistas orientadores: A oficina será orientada por Alexandre Silva, historiador e educador do Museu Afro Brasil, e pelo Grupo Cambaiá.
Exposição: Theodoro Sampaio, um sábio negro entre os brancos.
FIM DE SEMANA NO MUSEU
MOSAICO DE HISTÓRIAS
Data: Domingos Horário: 14 horas
RODA DE HISTÓRIAS
Histórias daqui e de Lá
Com Giba Pedrosa
Histórias de lugares por onde passou Theodoro Sampaio.
Data: Domingos – 25 de novembro e 09 de dezembro Horário: Das 14 horas às 15 horas
Nos meses de novembro e dezembro o Museu Afro Brasil realiza sua I Mostra de Cinema Africano, como parte da programação de atividades do Núcleo de Educação. Essa mostra dialoga com a exposição Benin está vivo ainda lá, inaugurada em 23 de outubro, data em que o Museu comemora três anos de existência.
Em sintonia com a exposição, a mostra privilegia diferentes aspectos envolvidos nas relações entre a ancestralidade e a contemporaneidade, a partir da perspectiva de diversos países do continente africano.
Ancestralidade e Contemporaneidade
Novembro e dezembro
Sábados: 1ª sessão das 16 h às 18 h
2ª sessão das 18 h às 20 h
17 de Novembro
1ª sessão
IDENTIDADE piéces d’identités
(França, 1998)
De Mweze Dieudonné Ngangura. Com Gérad Essomba, Herbert Flack. Duração: 97’.
Mani Kongo, o velho rei de uma província congolesa, decide partir em busca de sua filha, Mwana, que ele mandou para a Bélgica aos oito anos para estudar, e de quem está sem noticias há anos. O rei, que não quer abrir mão de nenhuma de suas tradições, vai cruzar personagens como Chaka-Jo, jovem mestiço bengo-congolês e falso motorista de táxi sem documento de estadia, Viva Wa Viva, jovem elegante que se apossa de seu dinheiro, ou ainda Noubia, jovem cantora iluminada e solitária... Mani Kongo volta para casa com Mwana e Chaka-Jo, mas será que o regresso à África permitirá a estas personagens “sem lenço nem documento” se reconciliar com eles próprios?
2ª sessão
ABOUMA
(França, 2002)
De Mahamat-Saleh Haroun. Com Ahidjo Mahamat Moussa, Garba Issa, Hamza Moctar Aguid, Koulsy Lamko, Mounira Khalil, Zara Haroun. Cores. Duração 81’.
Representante oficial do Chade Oscar 2003
Tahir (15 anos) e Amine (8 anos) descobrem ao acordar que seu pai foi embora misteriosamente. A frustração é maior, porque naquele dia, ele devia ser árbitro do jogo de futebol entre os garotos do bairro. Decidem, portanto, sair à sua busca pela cidade, em todos os lugares em que costumava ir.
Cansados, acabam refugiando-se em salas de cinema, onde um dia, acreditam reconhecer seu pai na tela e roubam as latas do filme...
24 de Novembro
1ª sessão
FINYÉ
(França, 1982)
De Souleymane Cissé. Com Balla Moussa, Ismaïla Sar, Oumou Diarra. PB. Duração 105’.
*Ganhador do Etalon de Yennenga, Fespaço 1983*
Dois adolescentes malinenses, Bah e batrou, oriundos de classes sociais diferentes, se encontram no liceu. Bah é o descendente de um grande chefe tradicional. O pai de Batrou, governador militar, representa o novo poder. Ambos adolescentes pertecem à uma geração que recusa a ordem estabelecida e põe em questão a sociedade.
2ª sessão
NHÁ FALA
(França/França/Guiné Bissau/Luxemburgo/Portugal, 2002).
De Flora Gomes. Com Ângelo Torres, Bia Gomes, Danielle Evenou, Fatou Ndiaye, François Hadji-Lazaro, Jean-Christophe Dollé, Jorge Biague, José carlos Imbombo. Drama em Cores. Duração 90’.
Em Cabo Verde, todos os acontecimentos que regem a vida social viram música. Mas na família da jovem Vita, uma lenda promete a morte a quem tentar. Na França, onde Vita estuda, ela encontra Pierre, músico, por quem se apaixona. Ela canta e Pierre descobre a beleza de sua voz, convencendo-a a gravar um disco que se torna sucesso. Mas Vita desafiou a tradição e decide voltar para casa para confessar à sua família e receber o castigo.
01 de Dezembro
1ª sessão
DJELI
(França, 1981).
De Fadika Kramo-Lanchiné. Com Fatou Quatara, Joachin Quatara Yao, El Hadj Syndou Dembélé. PB. Duração 92’.
Dois estudantes marfinenses, Fanta e Karamoko, estão apaixonados e querem casar. Nascidos na mesma aldeia, seus respectivos pais se conhecem bem. Mas Karamoko Kouyaté, filho de griô, não pode casar com Fanta, filha de um descendente direto das famílias ilustres do Mandigue. Apesar do mundo em plena transformação, ambas as famílias se opõem ao casamento entre seus filhos para preservar a tradição.
2ª sessão
SI-GUERIKI, A RAINHA-MÃE Si-Gueriki, la reine mère
(França/Alemanha/Benin/França, 2002).
De Idrissou Mora Kpai – Benim. Documentário em PB. Duração 62’.
"Meu pai faleceu e com ele parte da minha infância, minhas certezas, minhas crenças e meus sonhos". Depois de dez anos de ausência, Idrissou Mora Kpai volta ao Benim para rever sua família. Contra qualquer expectativa essa viagem vai ser a ocasião de descobrir aquela que desde sempre, nada mais fez do que servir a seu pai: sua mãe. Herdeira do título real de seu marido, ela tornou-se uma autoridade na comunidade Wassangari, ao norte do país. Rapidamente, junto com a co-esposa do finado, corrigem a imagem do pai ideal que o jovem cineasta guardou na memória. Diretas e lúcidas, as duas denunciam, não sem humor, um sistema patriarcal do qual foram também vítimas as irmãs e sobrinhas do diretor.
08 de dezembro
1ª sessão
O PREÇO DO PERDÃO Le Prix du Pardon
(França/França/Senegal, 2001).
De Mansour Sora Wade. Com Alioune Ndiaye, Dienaba Niang, Gora Seck, Hubert Koundé, James campbell, Rokhaya Niang, Thierno Ndiaye Doss. Cores. Duração 90’.
Um espesso nevoeiro cobre há vários dias uma aldeia da costa sul do Senegal, e impede as pirogas de entrar no mar. O velho religioso da aldeia está moribundo e não pode executar os ritos. Seu filho de 20 anos, Mbanik ganha a confiança da população e cativa a jovem Maxoye. Mas seu sucesso desperta a inveja de Yatma, seu amigo de infância...
Tanit de ouro Cartago 2002.
2ª sessão
BUUD YAM
(França, 1997).
De Gaston J-M Kabore. Com Serge Yanogo, Amssatou Maiga, Sévérine Ouddouda. PB. Duração 99’.
*Prêmio Etalon de Yennenga, Fespaco 1997*
Wend Kuuni foi encontrado quase morto na selva quando era criança e foi adorado por uma família. Apesar de ter sido aceito pela comunidade da aldeia continua a ser tratado como um forasteiro. A vida em família decorre serena até o dia que Poghnéré, sua irmã adotiva, fica gravemente doente. Wend Kuuni parte em busca de um curandeiro lendário para salvar sua irmã da morte. Sai, então, de sua aldeia adotiva e começa uma jornada iniciática que o conduzirá rumo às suas próprias raízes.
15 de dezembro
1ª sessão
MADAME BROUETTE
França/Canadá/França/Senegal, 2002).
De Moussa Sene Absa. Com Aboubacar Sadick Bâ, Akéla Sagna, Kadiatou Sy, Ndèye Seneba Seck, Ousseynou Diop, Pape Mboup, Rokhaya Niang. Comédia dramática. Cores. Duração: 104’.
De manhã cedinho no bairro Niayes Thiokeert, "Colina das perdizes" ouvem-se tiros. Ante os vizinhos que acorreram, Naago cai, perfurado de balas. Aquela que todos chamam de Madame Brouette confessa que matou seu marido. Mas no bairro as mulheres se juntam para elogiar essa mulher jovem divorciada, mãe de uma menina, vendedora ambulante de frutas e legumes.
O filme segue o caminho inverso da história para descobrir o que pode tê-la levado a tal gesto.
2ª sessão
FÉRIAS EM CASA
Vacances au Pays (França/Camarões/França, 2000).
De Jean-Marie Teno. Documentário em PB. Duração 75’.
Em 1998, Jean-Marie Teno volta, durante o verão, à terra de sua infância, nos Camarões. De Yaoundé, cidade grande, até Badjoun, aldeia onde passava as férias na infância, a viagem lhe permite fazer inventário irônico da situação do país. Ao sabor dos encontros, o autor denuncia a incompetência da administração e o fascínio pela modernidade importada da Europa, que não se adapta à África e suas tradições. “A escola nos ensinou a desprezar os símbolos de nossa cultura e a palavra de nossos avós”, lastima ele. À procura de um novo modelo para a África, sonha com uma modernidade a serviço da maioria, que permita ao país reconciliar-se com sua cultura.
Impressões de Carybé nas suas visitas ao Benin 1969 e 1987
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
Associação Museu Afro Brasil
convidam para o lançamento do livro
Impressões de Carybé nas suas visitas ao Benin 1969 e 1987
Sábado 24 de novembro de 2007
a partir das 13h
Dia 27 de outubro de 2007
Formas e Pulos: O Saci no Imaginário
Resgata as representações de um duende genuinamente nacional por diversos artistas, em suportes e técnicas variadas. A mostra revela também a energia do “insigne perneta” recuperando o espaço invadido pelas bruxas travestidas nas abóboras do raloim, que teimam em seqüestrar nosso imaginário e representam as forças do mal na geopolítica do século XXI.
O Dia do Saci Çaa cy perereg, Saci Pererê ou simplesmente Saci. Quem não conhece este personagem do folclore, travesso e libertário, que pula entre nós há mais de dois séculos?
Mito criado pelos tupi-guarani na zona fronteiriça com o Paraguai, guardião das florestas e defensor da natureza, foi apropriado pelos escravos, incorporando feições africanas e um cachimbo de preto velho. E, se o Saci perdeu uma perna para representar a mutilação imposta pelo cativeiro, ganhou o gorro vermelho, que concentra seus poderes mágicos, inspirado no piléu, emblema da liberdade na Roma antiga e no barrete frígio adotado pelos republicanos após a Revolução Francesa de 1789.
Símbolo de mestiçagem e resistência desde os tempos da Colônia e do Império, quando os negros enfrentavam os capitães do mato com golpes ágeis de capoeira, o Saci congrega a cultura multirracial que forma o povo brasileiro e plasma sua identidade.
Arte Contemporânea Africana - aconteceu no dia 20/10/07, às 17:30h, no Teatro Ruth de Souza no Museu Afro Brasil, e contou com a presença de artistas plásticos do Benin:
Edwige Aplogan, Dominique Zinkpè, Tchif, Gérard Quenum e foi mediada pelo crítico de arte André Jolly.
Benin está vivo ainda lá - Ancestralidade e Contemporaneidaded
O Museu Afro Brasil, com a exposição O Benin, ancestralidade e contemporaneidade, torna-se a primeira instituição brasileira a dedicar o melhor de seus esforços a mostrar a arte ancestral, tradicional, e também a arte contemporânea produzida por um dos berços da nação brasileira, o Benin.
Trata-se de uma clara mostra da formidável potencialidade de um dos povos mais criativos da África – e que é, também, um dos berços fundamentais de todos nós, brasileiros. Uma das mais vigorosas raízes da nossa origem, da nossa identidade. De Benin vieram, escravizados, os homens e mulheres que deram vida e impulso para a economia do Brasil em seus tempos de colônia portuguesa desde o século XVI. Foram eles os responsáveis por boa parte da riqueza produzida no Brasil, nos tempos do açúcar e do ouro.
Dois em Um – José do Patrocínio e Bordalo Pinheiro
Lançamento do livro da exposição.
Dois em Um é uma metáfora para traçar a trajetória Política e sócio-cultural desse Brasileiro e desse Português que se encontraram no Rio de Janeiro e morreram no mesmo ano de 1905, um em Lisboa e o outro no Rio de Janeiro.
Francisco Brennand
Flores, Frutos, Bichos e Passáros dos anos 60,70 e 80.
O BRASIL DE FRANCISCO BRENNAND
Esta exposição é uma pálida homenagem que aqui de São Paulo e do Museu Afro Brasil prestamos ao mestre Francisco Brennand pela passagem de seus oitenta anos de vida.
Dizemos pálida porque sabemos o quanto ele é merecedor de muito mais do que uma pequena mostra de seu grande talento e por tudo que construiu ao longo desses anos para dignificar a arte brasileira.
- Benin está vivo ainda lá
- ou uma viagem sentimental às antigas terras do Daomé.
Com a visita do presidente da República do Benin, Boni Yaji a nosso país, O Museu Afro Brasil aproveita para prestigiar a visita de sua excelência, celebrando o legado de nossa herança africana e os laços culturais e religiosos que unem nossas nações numa exposição que reúne fotos e imagens das cidades e do povo beninense.
- Kazuhiro Mori - Paisagem do Vento
- Pinturas
Convite Virtual - Brasil África - Unidade Original - Victor Ribeiro e Paulo Cesar Soares
- Fotografias e Vídeos
Convite Virtual - Imagens Perversas e Inocentes
Pinturas, gravuras, fotografias, esculturas e objetos.
Curadoria Emanoel Araujo.
Convite Virtual
DOIS EM UM - José do Patrocínio e Bordalo Pinheiro (19/05/07 a 30/07/07)
Exposição comemorativa dos 100 anos de morte de dois personagens do Séc. XIX, José do Patrocínio, que foi, além do Tigre da Abolição, também colaborador da Revista de Rafael Bordalo Pinheiro, O Bezoiro criada em 1877.
Dois em Um é uma metáfora para traçar a trajetória Política e sócio-cultural desse Brasileiro e desse Português que se encontraram no Rio de Janeiro e morreram no mesmo ano de1905, um em Lisboa e o outro no Rio de Janeiro.
Patrocínio morreu escrevendo sobre a morte de Rafael. Este é o texto deixado incompleto, assim como narra Patrocínio Junior no poema: Rafael Bordalo Pinheiro.
José do Patrocínio, chamado o Tigre da Abolição além da grande luta abolicionista, sempre teve enorme participação na vida cultural do Rio de Janeiro, como escritor, poeta, jornalista e inventor.
A mecânica da exposição se organiza com uma linha do tempo para envolver outros personagens importantes na campanha abolicionista como Antonio Bento, Luiz Gama, Joaquim Nabuco, André e Antonio Pinto Rebouças, Princesa Isabel e a Família Imperial Brasileira.
A exposição concretiza todo esse período com obras originais tais como móveis, gravuras, pinturas, caricaturas e textos dos dois personagens e diversos autores da época.
A exposição em dois segmentos é que constitui duas visões do tempo. Foi pensada para formar uma grande montagem como se fosse um enorme diorama ampliado pelos espaços.
A Petrobras, maior patrocinadora da cultura brasileira, convida para a Caravana em São Paulo do Programa Petrobras Cultural, edição 2006/2007.
Contamos com seu comparecimento. Por favor, confirme sua presença através do telefone 0800 772 2226 até o dia 8 de janeiro.
SERVIÇO
Local: Museu Afro Brasil – Espaço Petrobras
Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega
Parque Ibirapuera – Portão 10, fone 5579 0593
Dia 09 de janeiro de 2007 as 14 hrs
ENCONTRO
19/12/06 - "Igualdade Racial: políticas nacionais e internacionais"
Evento:
Data: 19 de dezembro de 2006 Horário: das 9:00 as 19:00 horas Local: Museu Afro Brasil - São Paulo/SP
Promoção:
Seppir - Secretária Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial
Apoios (a consultar):
- Assembléia Legislativa de São Paulo
- Câmara Municipal de São Paulo
- Congresso Nacional
- Fundação Cultural Palmares
- Fundação Friedrich Ebert (ILDES)
- Governo do Estado de São Paulo
- Ministérioda Educação
- Ministério das Relações Exteriores
- Museu Afro-Brasil
- Prefeitura de São Paulo
- Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República
LANÇAMENTOS:
16/12/06 - Imprensa Oficial do Estado de São Paulo - Museu Afro Brasil
Convidam para o lançamento do livro: - Menino de Deus
Os Meninos do Recolhimento dos Humildes e outros Meninos Deus
Lúcia Marques
Emanoel Araújo|org.
Evento:
Data: 16 de dezembro de 2006 Horário: a partir de 15h00 horas Local: Museu Afro Brasil - São Paulo/SP
16/12/06 - Imprensa Oficial do Estado de São Paulo - Museu Afro Brasil
Convidam para o lançamento do livro:
- Yêdamaria
Evento:
Data: 16 de dezembro de 2006 Horário: a partir de 15h00 horas Local: Museu Afro Brasil - São Paulo/SP
16/12/06 - Imprensa Oficial do Estado de São Paulo - Museu Afro Brasil
Convidam para o lançamento do livro:
- Oscar Niemeyer
a marquise e o projeto original do parque ibirapuera
Cecília Scharlach|org.
Evento:
Data: 16 de dezembro de 2006 Horário: a partir de 15h00 horas Local: Museu Afro Brasil - São Paulo/SP
09/12/06 - Ponto de Cultura Constelação trouxe ao Museu Afro Brasil:
- CORAL BAOBÁ
- EMEF "ARQUITETO VILANOVA ARTIGAS"Evento Dia 09 de dezembro de 2006, das 12h às 13h
- Apresentações - Coral Infanto-juvenil Baobá - Local: Teatro Ruth de Souza - Grupo Infanto-juvenil de Moçambique - Local: Marquise do Ibirapuera
Em breve estarão disponíveis as imagens das visitas dos Pontos de Cultura ao Museu Afro Brasil.
ENCONTRO
05/12/06 - "REGISTRO DA MEMÓRIA DO SAMBA PAULISTA"
Evento:
Data: 05 de dezembro de 2006 Horário: das 14:00 as 19:00 horas Local: Museu Afro Brasil - São Paulo/SP
Participantes:
- MESA DE ABERTURA:
- Alexandre Ferreira, presidente da Liga
- Benedito Cintra, SEPPIR
- Ediléia dos Santos, presidente da UESP
- Laia Maria Aparecida, assessora da Cultura para Gênero e Etnias
- Mário Luiz Cortês, coordenador do CONE
- MESA TÉCNICA:
- Jorge Carneiro, diretor da Subsecretaria de Ações Afirmativas SEPPIR
- Lana Guimarães, téc. de Cultura da Subs. Ações Afirmativas SEPPIR
- Nicelmar Nogueira, diretora do centro Cultural Cartola
- MESA DO SAMBA:
- Marcelo Manzati, antropólogo e pesquisador
- Marcos dos Santos, diretor do CDMS
- Maria Aparecida Urbano, pesquisadora
- Ministra Matilde Ribeiro - Homenagem ao Seu Nenê
- Encerramento do encontro e show "História do Samba Paulista" com o projeto Samba Autêntico
20/11 - DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
O Museu Afro Brasil inaugurou a nova museologia
do acervo permanente.
Na mesma ocasião, foram inauguradas 6 exposições.
Dia 20 de Novembro de 2006, Dia da Consciência Negra, o Museu Afro Brasil inaugurou a nova museologia do acervo permanente, com destaque para a sala do Navio Negreiro.
Dedicada à memória da travessia dos escravos da África até às Américas e compreendendo desde um esqueleto de navio até imagens ampliadas, a sala do Navio Negreiro inclui instalação audiovisual, documentos e objetos que se referem ao tráfico, comércio e castigo dos escravos.
Exposições:
- “A Pele dos Filhos de Gea”
- Gaspar Gasparian. “Gasparian na África
- Anízio Carvalho
- Eustáquio Neves. “Máscara de Punição”, “Encomendador de Almas” e “Os Arturos”
- Caetano Dias
- Yedamaria
Associação Quilombola de Ivaporunduva e Instituto Socioambiental convidam para o lançamento do livro: Artesanato do Quilombo de Ivaporunduva
O passo-a-passo do trabalho dos artesãos quilombolas com a fibra de bananeira, criando objetos que se constituem em alternativa de renda para a comunidade.
O Museu Afro Brasil cedeu seu espaço para a pré-estréia do documentário Família Alcântara, de Daniel Solá Santiago e Lilian Solá Santiago.
O documentário que conta a história de uma família descendente de africanos escravizados em Minas Gerais trabalha com a integração e a resistência cultural, misturando realidade e ficção.
O filme ‘Família Alcântara’ (2004), que já passou por festivais de cinema da França e Espanha, estréia dia 17 de novembro, sexta-feira, no HSBC Belas Artes.
Com a direção de Daniel Solá e Lilian Solá Santiago, o documentário, com duração de 56 min, retrata a história de uma família descendente de africanos escravizados no sudeste brasileiro. Com o coral, as peças de teatro e as guardas de congada - atividades artísticas e religiosas - a Família Alcântara preserva a sua história e a mantém por gerações.
Através de sua trajetória particular, podemos vislumbrar a história da maioria do povo afro-brasileiro e de seus descendentes, de uma forma inédita no cinema.
O filme explora a cultura única criada pelos africanos escravizados no Brasil da etnia bantu - origem da maioria dos africanos trazidos para a América durante o período de escravidão, e seus descendentes demonstram como as questões históricas e sociológicas mais gerais influem na vida de cada um. Outras informações acesse o site: www.familiaalcantara.com.br
MUSEU AFRO BRASIL COMEMOROU DOIS ANOS
COM A ABERTURA DE QUATRO EXPOSIÇOES SOBRE DIVERSIDADE CULTURAL BRASILEIRA
VIVA CULTURA VIVA DO POVO BRASILEIRO (23 de outubro de 2006 - 18h30)
- Pontos de cultura
- Um olhar sobre a arte brasileira
- O imaginário do povo brasileiro
- Território ocupado
(23/08/06 a 30/09/06)- “Revisitando Carybé” - homem, artista, imaginário
” É uma mostra que apresenta seleções especiais da exposição Carybé, previamente montada no Museu Afro Brasil. Os recortes da curadoria original permitem que a obra do baiano, pintor, ceramista e ilustrador Mestre Carybé siga no espaço do museu à disposição de nosso público visitante
(23/08/06 a 22/10/06)- “Carmen Calvo - A colecionadora de memórias
Com curadoria de Osbel Suarez, é uma mostra retrospectiva que traz parte dos 30 anos da produção artística da artista espanhola, que em 1997 representou seu país na Bienal de Veneza. O percurso proposto pela curadoria objetiva expor as articulações poéticas e plásticas contraditórias da artista. Ora deixa transparecer uma certa melancolia, carregada de humor negro, ora faz alusão a uma ironia conceitual que deseja interpretar e reconstruir o mundo por meio do acúmulo de objetos simbólicos
Carmen Calvo • de 23 de agosto a 22 de outubro de 2006
(23/08/06 a 22/10/06)- “Odorico Tavares: do gabinete do jornalista aos meus poemas aos meus pintores”
É uma exposição que apresenta parte da belíssima coleção de arte brasileira deste jornalista pernambucano, naturalizado baiano. A seleção inclui, entre outras, obras de Portinari, Di Cavalcanti, Pancetti, Aldemir Martins, Bandeira, Manabu Mabe, Carybé, acompanhadas de poemas escritos pelo próprio colecionador e dedicados a estes artistas, que eram também amigos pessoais de Odorico. Além das pinturas e dos poemas de Odorico, a exposição traz a sua extraordinária coleção pessoal de arte sacra baiana e pernambucana dos séculos XVII e XVIII.
Odorico Tavares • de 23 de agosto a 22 de outubro de 2006
06/06/06 - Museu Afro Brasil mostra obras
e coleção de arte africana do português
José de Guimarães
Chama-se África e Africanias de José de
Guimarães – Espíritos e Universos Cruzados a
exposição que abre dia 5 de junho e fica até 10
de setembro; um dos grandes nomes das artes plásticas
contemporâneas de Portugal será retratado em 77
trabalhos (pinturas, esculturas, objetos e quadros com caracteres
gráficos de um alfabeto ideográfico criado por
ele, inspirado em ícones da arte negra) e 79 peças
de sua coleção africana, de preço incalculável.
Muitos críticos definem José de Guimarães como um dos poucos
artistas do mundo que respeita a arte sem os ditames acadêmicos, que dão
menos valor à chamada ‘arte primitiva’. Após viver
dois angustiantes anos de conflitos na África, sem conseguir entender
os conceitos culturais do continente, na década de 1970, ele estudou a
etnografia africana, especialmente a angolana. José de Guimarães
alcançou um conhecimento do conteúdo das manifestações
negras apoiadas em arquétipos culturais e sociológicos diferentes,
e até mesmo opostos, ao seu.
A tentativa de realizar uma síntese, e possível osmose, entre as
culturas africanas e européias, resultou na criação de um
alfabeto ideográfico composto por cerca de 150 caracteres gráficos.
40 desses trabalhos estarão no Museu Afro Brasil.
Para o artista, a mais relevante transformação na sua pintura – a
modificação de conteúdo maior do que impôs à forma,
sem excluí-la – deu-se após o entendimento da arte africana. “A
arte negra fez-me saber como se efetua a concentração do significar
e da carga mítica das formas. É assim que, na minha pintura, a
forma tornou-se símbolo e agente de um grande poder atuante”, explica
ele.
“É eloqüente o talento de José de Guimarães em
meio a tantas séries, cores e materiais, nessa forte ‘arte mixmídia’”,
destaca Emanoel Araujo, curador da mostra e diretor do Museu Afro Brasil.
O que José de Guimarães fez com a arte africana
e o que essa arte fez em suas criações
José Maria Fernandes Marques soube enriquecer a sua arte com influências
externas. Depois de adotar o sobrenome artístico Guimarães em 1961,
em homenagem à sua cidade natal, ele viajou o mundo. Atualmente vive e
trabalha entre Lisboa (seu ateliê fica no famoso bairro de Alfama) e Paris.
Em 1981 integrou a representação portuguesa na XVI Bienal de São
Paulo.
Escultor de formas sinuosas, às vezes vazadas, contrapõe a rigidez
da matéria lisa e multicolorida, rasgada pela luz fluida de néon,
com grafismos, repetindo esses cortes no interior da escultura.
Entre 1970 e 1974, ele produziu centenas de obras que até hoje influenciam
suas criações. Sua arte, então, ficou miscigenada por duas
culturas, numa transição entre pintura e escultura, que resultou
em esculturas bifaces de representação e significado duplos, trabalhos
que também estão presentes na mostra brasileira.
Os primeiros híbridos culturais com acento
na cultura africana podem ser identificados em suas obras na série
de estatuetas angolanas de madeira, adquiridas por ele em feiras
e lojas de arte popular, que receberam suas interferências
cromáticas.
Como colecionador, Guimarães mantém uma atitude decorrente do reconhecimento
e respeito que tem por outras culturas. “A minha obra artística
tem seguido o trilho dos navegadores portugueses – desbravadores e criadores
de uma mestiçagem –, buscando e alimentando-se nas culturas de outras
regiões”.
Sua coleção não só de Angola, mas principalmente
de toda a região centro-africana (Nigéria, Camarões, Gabão,
Mali, Burkina Faso, Sudão, Congo, Guiné, Gana, Costa do Marfim,
Togo e Benim) continua até hoje. Algumas dessas peças, com Mambilas,
Mendes, Kanacas, Tchokwes, Baulés, Cabindas, Fangues, Bagas, Punos, Igbos,
Markas, Bambaras, Dogons, Kotas, Iorubás, Iakas e Dans, poderão
ser contempladas na exposição.
SERVIÇO
Exposição – África e Africanias de José de
Guimarães – Espíritos e Universos Cruzados
Curador: Emanoel Araujo
Local: Museu Afro Brasil – Espaço Petrobras
Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega
Parque Ibirapuera – Portão 10, fone 5579 0593
Visitação - Gratuita
De 06 de junho a 10 de outubro de 2006
De terça a domingo, das 10 às 18h
Realização:
Consulado Geral de Portugal em São Paulo e Museu Afro Brasil
Patrocínio:
Galp Energia; EDP – Eletricidade de Portugal;
LAZAM/MDS – Gestão de Seguros
13/05/06 - Museu Afro Brasil faz Bembé tipicamente
baiano para comemorar abolição da escravatura
Festa acontece sábado, dia 13 de maio, das 10h às
18h, sob as marquises e nas dependências do Museu Afro
Brasil e reproduz o Candomblé da Liberdade, realizado
em Santo Amaro da Purificação, no recôncavo
baiano, desde 1889, um ano depois da assinatura da Lei Áurea;
evento terá música, performances de artistas plásticos,
leitura de poesias e exibições de congadas de São
Benedito com grupos de Mogi das Cruzes e Guaratinguetá,
dança dramática ancestral Moçambique e Maracatu,
de São Paulo, além do lançamento de livros.
“Queremos comemorar a data de forma exemplar, e repetir
e ampliar a festa que fizemos ano passado”, diz o diretor
da instituição Emanoel Araujo. Nascido em Santo
Amaro da Purificação, terra também de Caetano
Veloso e Maria Bethânia, Emanoel relembra a força
que representa um Bembé do Mercado, como a celebração é conhecida
na sua terra natal:
“Trata-se de uma reafirmação da liberdade
e resistência cultural. Apesar da proibição
dos senhores e da força policial, os negros foram para
a praça e fizeram festa. Em agradecimento aos Orixás,
e solicitando a força desses, determinaram que todo ano
haveria o Bembé da Liberdade”, relata Emanoel.
O Bembé começa às 10h e vai até 18h. Às
10h acontece o cortejo e danças pelo Parque do Ibirapuera
dos grupos Congada de Santa Efigênia, de Mogi das Cruzes,
Cambaia – Congada de São Benedito, de São
Paulo, Jongo de Tamandaré, de Guaratinguetá e Grupo
de Maracatu Ilê Aláfia – ACM/SP, do bairro
do Jabaquara.
Às 13h haverá os lançamentos do livro Evolução
da Sociedade e Economia Escravista de São Paulo, de
1750 a 1850, do professor da Universidade de
São Paulo e secretário municipal de Planejamento,
Francisco Vidal Luna, e do historiador e professor da Columbia
University, Herbert S. Klein, e do catálogo
da exposição O universo mítico de
Hector Julio Paride Bernabó, o baiano Carybé,
em exibição no museu desde 28 de abril.
Por volta das 15h ocorrem performances dos artistas plásticos
Arjan, Carlos Contente, Jorge Pinheiro e Ronald Duarte – Contente
utilizará cerca de dez mil metros de fita vermelha do
Nosso Senhor do Bonfim para enlaçar os pilares do museu.
LIVROS
Baseado em censos não publicados e no depoimento de inúmeras
fontes, o livro de Luna e Klein é considerado um dos primeiros
estudos sobre a economia e a sociedade de São Paulo do
final do século XVIII até as primeiras décadas
do século XIX. Ao analisar a evolução do
cultivo agrícola, mostra a gradativa introdução
do trabalho escravo africano nas várias regiões
paulistas.
Francisco Vidal Luna é professor aposentado da Faculdade
de Economia e Administração da Universidade de
São Paulo e secretário municipal de Planejamento
de São Paulo.
Herbert S. Klein é professor doutor do Departamento de
História da Universidade de Columbia, em Nova Iorque (EUA),
especializado em História Social e da América Latina.
O catálogo da exposição O universo
mítico de Hector Julio Paride Bernabó, o baiano
Carybé, com 320 páginas, mostra mais de
400 obras do artista e traz artigos de Emanoel Araujo, Jorge
Amado, José Lins do Rego, Pierre Verger, Rubem Braga,
poemas de Mario Cravo e Vinicius de Moraes, entre outros, além
de textos do próprio Carybé e de sua mulher,
Nancy Bernabó.
PERFORMANCES ARTÍSTICAS
Carlos Contente batiza sua arte de Oração
ao senhor do sem-fim em que vai amarrar nos pilotis fitas
do senhor do Bomfim, como “um pedido a cada nó” relacionado à superação
das nossas formas de discriminação racial sutis
ou explícitas. Nesse trabalho, ele vai utilizar cerca
de dez mil metros de fita vermelha.
Jorge Pinheiro usa a poesia Língua para denunciar a
exclusão dos analfabetos – “a forma de inutilização” – pelos
meios de comunicação.
Ronald Duarte traz o Nimbo-oxalá em que propõe
uma intervenção no parque com artistas vestidos de branco.
Arjan mostra as telas Velhas ancestrais inspiradas na tradição
dessas senhoras, retratando suas relações com vida e morte.
SERVIÇO
Evento Bembé do Museu Afro Brasil – Festa
para comemorar Dia da Abolição da Escravatura
Dia 13 de maio, sábado, das 10h às 18h
Local
Museu Afro Brasil
Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega
Parque Ibirapuera – Portão 10, fone 5579 0593
Entrada Gratuita
Patrocínio
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Banco Safra, Sabesp
LANÇAMENTO DOS LIVROS
1) EVOLUÇÃO DA SOCIEDADE E ECONOMIA ESCRAVISTA
DE SÃO PAULO, DE 1750 A 1850, DE FRANCISCO VIDAL LUNA
E HERBERT S. KLEIN. EDUSP, 280 p. 1ª. ed. 2006. Trad. Laura
Teixeira Motta.
2) CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO O UNIVERSO MÍTICO
DE HECTOR JULIO PARIDE BERNABÓ, O BAIANO CARYBÉ.
Museu Afro Brasil, 320 p., 2006. Patrocínio Petrobras.
06/05/06 - Curso para professores
- Exposição
Carybé
Curso voltado à aproximação da obra de Carybé e orientação
para o trabalho em sala de aula, destinado a professores e educadores.
06/05/06 - Museu Afro Brasil mostra criações
de 80 artistas inspiradas em Caymmi
A exposição A imagem do som de Dorival Caymmi estará no
Museu Afro Brasil, de 06 de maio a 06 de agosto. Com patrocínio
da Sabesp, traz pinturas, desenhos, fotografias e instalações
que, com interatividade, poderão ser apreciadas com trilha
sonora das músicas que inspiraram os artistas.
A mostra faz parte do projeto criado e curado pelo designer
gráfico Felipe Taborda para homenagear os principais compositores
da música brasileira por meio da criação
visual de artistas contemporâneos, que está na sexta
edição. Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso,
Gilberto Gil e nomes do rock-pop brasileiro estiveram nas edições
anteriores. As criações baseadas nas canções
de Caymmi foram exibidas no Paço Imperial, Rio de Janeiro
em 2005.
“Caymmi dedicou belas canções, de corpo
e alma, à sua velha Bahia. Cantou ruas, ladeiras, comidas,
a vida, enfim. Soube, mais do que ninguém, apreender e
transmitir para que essa cultura permanecesse em nossa memória
para sempre. São composições que tocam profundamente
a alma brasileira”, diz o diretor do Museu Afro Brasil,
Emanoel Araujo.
Designers gráficos, fotógrafos, ilustradores,
escultores, artistas plásticos, cenógrafos e carnavalescos
interpretaram visualmente 80 composições do mestre
baiano. As músicas foram sorteadas entre os artistas que
tiveram um tempo determinado para realizar suas criações.
Cada obra está exposta ao lado da letra da música
e, próximo dela, um headfone permite ao visitante
escutar as canções. Não foi incomum observar,
nas edições anteriores, pessoas cantando a música
que está ouvindo, ampliando as características
da interatividade proposta.
No elenco estão nomes como Alex Cerveny, Andrucha Waddington,
Antônio Bernardo, Antônio Henrique do Amaral, Arnaldo
Antunes, Chico Bicalho, Cristina Portella, Dora Longo Bahia,
Franz Manata, Gringo Cardia, Guto Lacaz, Iole de Freitas, J.
R. Duran, Lan, Luiz Áquila, Marcello Grassmann, Maria
Bonomi, Mario Cravo Jr., Regina Silveira, Rosa Magalhães,
Tuca Reinés e Ziraldo, entre muitos outros.
“A força da beleza das composições
de Caymmi certamente contagiou os artistas, que apresentaram
um resultado de surpreendente criatividade”, destaca Taborda.
A montagem dessa exposição gera uma feliz
coincidência. Três ícones da cultura
baiana, de projeção nacional, encontram-se nos
andares do Museu Afro Brasil, simultaneamente: Caymmi (cronista
musical da Bahia e seus costumes); parte da coleção
do jornalista, poeta, intelectual e agitador cultural baiano
Odorico Tavares, com a mostra A mapoteca do colecionador (em
cartaz até 14 de maio), e O universo mítico
de Hector Julio Paride Bernabó – o baiano Carybé (em
exibição até 2 de julho).
SERVIÇO
Exposição A imagem do som de Dorival Caymmi
Curador: Felipe Taborda
De 06 de maio a 06 de agosto de 2006
De terça a domingo, das 10 às 18h
Local
Museu Afro Brasil
Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega
Parque Ibirapuera – Portão 10, fone 5579 0593
Visitação - Gratuita
Realização
Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo – SMC
Instituto de Políticas Públicas Florestan Fernandes – IFF
Patrocínio
Sabesp
29/04/06 - O universo mítico
de Hector Julio Paride Bernabó: o baiano Carybé
Mesa Redonda com:
Nancy Bernabó (viúva de Carybé)
Paulo Vanzolini (músico, zoólogo e amigo pessoal de Carybé)
Vagner Gonçalvez (Antropólogo, professor da USP)
Emanoel Araújo (curador e diretor do Museu AfroBrasil)
Mediadora: Maria da Betânia Galas (consultora de arte-educação
do Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil) *
CONVITE VIRTUAL
27/04/06 - O universo
mítico
de Hector Julio Paride Bernabó - o baiano Carybé Inauguração e lançamento
do catálogo da exposição *
CONVITE VIRTUAL
A mulher no Museu Afro Brasil
"Mãe preta, me conta uma história...
Então fecha os olhos filhinho:
'Longe, longe era uma vez o Congo. Despois...'" (Raul Bopp)
A partir do mês de março, em que se comemorou o Dia da Mulher,
o Museu Afro Brasil passou a oferecer ao público visitas orientadas
com roteiros em que as mulheres constituem o foco da atenção.
Para prestar nossa homenagem, elegemos mulheres negras de nossa
história: negras africanas escravizadas, amas de leite,
mães pretas, mulheres que resistiram de diversas formas
aos preconceitos, venceram obstáculos e desafios na construção
cotidiana de uma vida digna. Atrizes, escritoras, mães
de santo, poetas, mulheres do povo ocupam um lugar privilegiado
neste Museu e constituem uma referência importante para
a construção da identidade e do imaginário
da mulher brasileira.
Ao visitar o Museu, orientado por um roteiro que tematiza a
mulher, o visitante terá oportunidade de perceber o quanto
a matriz africana em nossa formação está presente
na atuação da mulher brasileira nos dias de hoje.
Para agendar sua visita, ligue para 5579-0593, ramal 112, com
Alzileni.
Ou envie um e-mail para: educmuseuafrobrasil@yahoo.com.br
21/03/06 - Leilão Arte Pró-Museu
O Museu Afro Brasil realizou, no dia 21 de março,
terça-feira, às 20h30, um leilão de
quase 200 obras de arte – pinturas, gravuras, desenhos,
esculturas, objetos, fotografias – com o objetivo de
levantar recursos para a sua manutenção. Doadas
pelos próprios artistas, brasileiros e estrangeiros,
por colecionadores e galeristas, as obras permaneceram
expostas até o dia 19 de março (domingo) e
constam do catálogo “Leilão
Arte Pró-Museu”, que contém o regulamento
do leilão e as especificidades de cada peça.
Segundo Emanoel Araujo, curador e diretor do Museu Afro Brasil, “este
não é só um apelo unicamente beneficente,
na busca de recursos para que o Museu possa seguir sua trajetória,
como uma instituição digna, pelo que ela se propõe.
Esta ação espera, mais profundamente, receber
da população brasileira, especificamente de São
Paulo, o reconhecimento indispensável e necessário
para que nosso Museu seja, como deve ser, um espaço
cultural, político e democrático para discutir
nossas raízes em profundidade; e seja capaz de, ao longo
dos anos, criar uma nova história que inclua todos os
construtores do nosso país e suas contribuições”.
Tornando-se possível graças à generosidade dos doadores,
o evento homenageou especialmente o artista plástico Aldemir Martins,
recém-falecido. “Ele fará falta, com a sua alegria e seu
grande sentimento de solidariedade”, ressalta Emanoel Araujo.
Com a participação do leiloeiro Aloísio Cravo, foram oferecidas
obras de Abraham Palatnik, Adir Sodré, Adriana Banfi, Alcides, Aldemir
Martins, Alfredo Volpi, Amélia Toledo, Ângela Okinaka, Antonio Hélio
Cabral, Antonio Henrique Amaral, Antonio Maluf, Antonio Poteiro, Araquém
Alcântara, Arcângelo Ianelli, Arthur Lescher, Ayao Okamoto, Bauer
Sá, Bob Wolfenson, Bubby Costa, Caciporé Torres, Caetano Dias,
Caíto, Cândido Portinari, Carlos Fajardo, Carlos Lemos, Carlos Vergara,
Cássio Vasconcellos, Cícero Dias, Cláudia Andujar, Cláudio
Tozzi, Cristiano Mascaro, Cristina Canale, Dias Paredes, Edival Ramosa, Eduardo
Sued, Emanoel Araujo, Eustáquio Neves, Fabio Domingues, Farnese de Andrade,
Félix Farfan, Fernando Lucchesi, Flávio-Shiró, Florian Raiss,
Fernando Lemos, Fernando Ribeiro, Francisco Brennand, Frans Krajcberg, Gaspar
Gasparian, Gilberto Salvador,