Mostra de filmes africanos

Nos meses de novembro e dezembro o Museu Afro Brasil realiza sua I Mostra de Cinema Africano, como parte da programação de atividades do Núcleo de Educação. Essa mostra dialoga com a exposição Benin está vivo ainda lá, inaugurada em 23 de outubro, data em que o Museu comemora três anos de existência.
Em sintonia com a exposição, a mostra privilegia diferentes aspectos envolvidos nas relações entre a ancestralidade e a contemporaneidade, a partir da perspectiva de diversos países do continente africano.
Ancestralidade e Contemporaneidade
Novembro e dezembro
Sábados: 1ª sessão das 16 h às 18 h
2ª sessão das 18 h às 20 h
17 de Novembro
1ª sessão
IDENTIDADE
piéces d’identités
(França, 1998)
De Mweze Dieudonné Ngangura. Com Gérad Essomba, Herbert Flack. Duração: 97’.
Mani Kongo, o velho rei de uma província congolesa, decide partir em busca de sua filha, Mwana, que ele mandou para a Bélgica aos oito anos para estudar, e de quem está sem noticias há anos. O rei, que não quer abrir mão de nenhuma de suas tradições, vai cruzar personagens como Chaka-Jo, jovem mestiço bengo-congolês e falso motorista de táxi sem documento de estadia, Viva Wa Viva, jovem elegante que se apossa de seu dinheiro, ou ainda Noubia, jovem cantora iluminada e solitária... Mani Kongo volta para casa com Mwana e Chaka-Jo, mas será que o regresso à África permitirá a estas personagens “sem lenço nem documento” se reconciliar com eles próprios?
2ª sessão
ABOUMA (França, 2002)
De Mahamat-Saleh Haroun. Com Ahidjo Mahamat Moussa, Garba Issa, Hamza Moctar Aguid, Koulsy Lamko, Mounira Khalil, Zara Haroun. Cores. Duração 81’.
Representante oficial do Chade Oscar 2003
Tahir (15 anos) e Amine (8 anos) descobrem ao acordar que seu pai foi embora misteriosamente. A frustração é maior, porque naquele dia, ele devia ser árbitro do jogo de futebol entre os garotos do bairro. Decidem, portanto, sair à sua busca pela cidade, em todos os lugares em que costumava ir.
Cansados, acabam refugiando-se em salas de cinema, onde um dia, acreditam reconhecer seu pai na tela e roubam as latas do filme...
24 de Novembro
1ª sessão
FINYÉ
(França, 1982)
De Souleymane Cissé. Com Balla Moussa, Ismaïla Sar, Oumou Diarra. PB. Duração 105’.
*Ganhador do Etalon de Yennenga, Fespaço 1983*
Dois adolescentes malinenses, Bah e batrou, oriundos de classes sociais diferentes, se encontram no liceu. Bah é o descendente de um grande chefe tradicional. O pai de Batrou, governador militar, representa o novo poder. Ambos adolescentes pertecem à uma geração que recusa a ordem estabelecida e põe em questão a sociedade.
2ª sessão
NHÁ FALA
(França/França/Guiné Bissau/Luxemburgo/Portugal, 2002).
De Flora Gomes. Com Ângelo Torres, Bia Gomes, Danielle Evenou, Fatou Ndiaye, François Hadji-Lazaro, Jean-Christophe Dollé, Jorge Biague, José carlos Imbombo. Drama em Cores. Duração 90’.
Em Cabo Verde, todos os acontecimentos que regem a vida social viram música. Mas na família da jovem Vita, uma lenda promete a morte a quem tentar. Na França, onde Vita estuda, ela encontra Pierre, músico, por quem se apaixona. Ela canta e Pierre descobre a beleza de sua voz, convencendo-a a gravar um disco que se torna sucesso. Mas Vita desafiou a tradição e decide voltar para casa para confessar à sua família e receber o castigo.
01 de Dezembro
1ª sessão
DJELI (França, 1981).
De Fadika Kramo-Lanchiné. Com Fatou Quatara, Joachin Quatara Yao, El Hadj Syndou Dembélé. PB. Duração 92’.
Dois estudantes marfinenses, Fanta e Karamoko, estão apaixonados e querem casar. Nascidos na mesma aldeia, seus respectivos pais se conhecem bem. Mas Karamoko Kouyaté, filho de griô, não pode casar com Fanta, filha de um descendente direto das famílias ilustres do Mandigue. Apesar do mundo em plena transformação, ambas as famílias se opõem ao casamento entre seus filhos para preservar a tradição.
2ª sessão
SI-GUERIKI, A RAINHA-MÃE
Si-Gueriki, la reine mère
(França/Alemanha/Benin/França, 2002).
De Idrissou Mora Kpai – Benim. Documentário em PB. Duração 62’.
"Meu pai faleceu e com ele parte da minha infância, minhas certezas, minhas crenças e meus sonhos". Depois de dez anos de ausência, Idrissou Mora Kpai volta ao Benim para rever sua família. Contra qualquer expectativa essa viagem vai ser a ocasião de descobrir aquela que desde sempre, nada mais fez do que servir a seu pai: sua mãe. Herdeira do título real de seu marido, ela tornou-se uma autoridade na comunidade Wassangari, ao norte do país. Rapidamente, junto com a co-esposa do finado, corrigem a imagem do pai ideal que o jovem cineasta guardou na memória. Diretas e lúcidas, as duas denunciam, não sem humor, um sistema patriarcal do qual foram também vítimas as irmãs e sobrinhas do diretor.
08 de dezembro
1ª sessão
O PREÇO DO PERDÃO
Le Prix du Pardon
(França/França/Senegal, 2001).
De Mansour Sora Wade. Com Alioune Ndiaye, Dienaba Niang, Gora Seck, Hubert Koundé, James campbell, Rokhaya Niang, Thierno Ndiaye Doss. Cores. Duração 90’.
Um espesso nevoeiro cobre há vários dias uma aldeia da costa sul do Senegal, e impede as pirogas de entrar no mar. O velho religioso da aldeia está moribundo e não pode executar os ritos. Seu filho de 20 anos, Mbanik ganha a confiança da população e cativa a jovem Maxoye. Mas seu sucesso desperta a inveja de Yatma, seu amigo de infância...
Tanit de ouro Cartago 2002.
2ª sessão
BUUD YAM
(França, 1997).
De Gaston J-M Kabore. Com Serge Yanogo, Amssatou Maiga, Sévérine Ouddouda. PB. Duração 99’.
*Prêmio Etalon de Yennenga, Fespaco 1997*
Wend Kuuni foi encontrado quase morto na selva quando era criança e foi adorado por uma família. Apesar de ter sido aceito pela comunidade da aldeia continua a ser tratado como um forasteiro. A vida em família decorre serena até o dia que Poghnéré, sua irmã adotiva, fica gravemente doente. Wend Kuuni parte em busca de um curandeiro lendário para salvar sua irmã da morte. Sai, então, de sua aldeia adotiva e começa uma jornada iniciática que o conduzirá rumo às suas próprias raízes.
15 de dezembro
1ª sessão
MADAME BROUETTE
França/Canadá/França/Senegal, 2002).
De Moussa Sene Absa. Com Aboubacar Sadick Bâ, Akéla Sagna, Kadiatou Sy, Ndèye Seneba Seck, Ousseynou Diop, Pape Mboup, Rokhaya Niang. Comédia dramática. Cores. Duração: 104’.
De manhã cedinho no bairro Niayes Thiokeert, "Colina das perdizes" ouvem-se tiros. Ante os vizinhos que acorreram, Naago cai, perfurado de balas. Aquela que todos chamam de Madame Brouette confessa que matou seu marido. Mas no bairro as mulheres se juntam para elogiar essa mulher jovem divorciada, mãe de uma menina, vendedora ambulante de frutas e legumes.
O filme segue o caminho inverso da história para descobrir o que pode tê-la levado a tal gesto.
2ª sessão
FÉRIAS EM CASA
Vacances au Pays (França/Camarões/França, 2000).
De Jean-Marie Teno. Documentário em PB. Duração 75’.
Em 1998, Jean-Marie Teno volta, durante o verão, à terra de sua infância, nos Camarões. De Yaoundé, cidade grande, até Badjoun, aldeia onde passava as férias na infância, a viagem lhe permite fazer inventário irônico da situação do país. Ao sabor dos encontros, o autor denuncia a incompetência da administração e o fascínio pela modernidade importada da Europa, que não se adapta à África e suas tradições. “A escola nos ensinou a desprezar os símbolos de nossa cultura e a palavra de nossos avós”, lastima ele. À procura de um novo modelo para a África, sonha com uma modernidade a serviço da maioria, que permita ao país reconciliar-se com sua cultura.
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