ACERVO - O SAGRADO E O PROFANO
O cristianismo imposto aos africanos escravizados acabou por lhes fornecer,
no
entanto, importantes espaços sociais para a preservação
de suas culturas de origem. O catolicismo barroco colonial sempre viu no espetáculo
de suas grandes festas um instrumento para transmitir a todos a doutrina cristã,
independente de sua condição social, pelo simbolismo das imagens,
cores e sons. Legitimando o poder da realeza portuguesa, ele multiplicou também
as festas cívicas de que todo povo era chamado a participar, em celebrações
onde a devoção era seguida da diversão, com teatro, fogos
de artifício e corridas de touro, reunindo num mesmo espetáculo
as manifestações sagradas e profanas. Este núcleo mostra
a apropriação pelos escravos africanos e seus descendentes dessas
celebrações festivas a partir das referências de suas culturas
de origem, permitindo-lhes preservar muitos de seus elementos, que se conservam
ainda hoje no catolicismo popular e nas festas consideradas “folclóricas”.

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